Duetando tudo…

09/06/2010

Para o exercício das escalas duetadas, tenho encontado boa diversão tomando determinadas partituras de músicas e duetando todas as notas para execução na viola. Não há, claro, qualquer garantia de que o resultado seja um belo arranjo para viola caipira! Confesso que, na minha condição de precário aprendiz, tenho ficado meio perdido nos tons menores e quando encontro notas cromáticas que não pertencem à escala da tonalidade.

Exemplo

Escalas duetadas 3

02/06/2010

Hoje, Martinho da Vila disputa vaga na Academia Brasileira de Letras. Então, em sua homenagem, já que este blogue evolui bem devagar, devagarinho, sigo minha sina de aprendiz e adiciono mais um “artigo” sobre escalas duetadas. Abaixo, uma figura que ilustra em pauta e tablatura diferentes execuções de escala duetada de Ré maior com terças “acima”.

Diferentes execuções de escala duetada de ré maior com terças "acima"

Diferentes execuções de escala duetada de ré maior com terças "acima"

As tétrades são acordes de quatro notas, formados pelas notas fundamental, terça, quinta e sétima de uma escala. Assim como ocorre com as terças, também as sétimas podem ser menores ou maiores. As tétrades diatônicas são obtidas de forma similar às tríades diatônicas: basta que se adicione uma sétima a cada uma das tríades, utilizando-se somente as notas próprias da escala. A figura seguinte mostra as tríades e tétrades diatônicas da escala de ré maior.

Tríades e tétrades diatônicas de ré maior

Tríades e tétrades diatônicas de ré maior

Escalas duetadas 2

06/03/2010

Continuando o que foi dito no artigo anterior, as figuras seguintes ilustram como adicionar uma terça ou sexta a uma nota da escala (nos exemplos a primeira) para formar o “dueto”. Em ambos os exemplos, a nota adicionada é mais alta que a nota da escala (terça ou sexta “acima”). Esta é a situação mais comum, em que a nota fundamental é a mais grave do “acorde”. Entretanto, é possível também adicionar terças ou sextas mais graves que fundamental (terça ou sexta “abaixo”).

Adicionando uma terça à primeira nota da escala de ré maior

Adicionando uma terça à primeira nota da escala de ré maior

Adicionando uma sexta à primeira nota da escala de ré maior

Adicionando uma sexta à primeira nota da escala de ré maior

A figura seguinte mostra a escala duetada de ré maior com terças “acima”. A tablatura associada mostra sua execução nos pares de cordas 3 e 4 da viola. Vale observar que a escala costuma ser executada “para cima” e “para baixo”: toca-se até a oitava e retorna-se à primeira.

Escala duetada de ré maior com terças "acima"

Escala duetada de ré maior com terças "acima"

A próxima figura mostra a escala duetada de ré maior com sextas “acima”. A tablatura associada mostra sua execução nos pares de cordas 2 e 4 da viola.

Escala duetada de ré maior com sextas "acima"

Escala duetada de ré maior com sextas "acima"

Sítio do Angelim

19/02/2010

Impressionante o Sítio do Angelim… Sempre movimentado, ele simplesmente não pára de adicionar novas cifras e tablaturas para o deleite de qualquer aprendiz! Além disso, você encontra inúmeras outras informações e curiosidades em suas páginas: Bibliografia, Mestres Poetas, Mestres Professores, Violeiros, Discografia dos principais violeiros. E vai além da viola: O Sagrado e o Profano fala de religiosidade; Fogão à Lenha traz receitas caipiras de verdade! Tive até dificuldade em enquadrá-lo corretamente nos links aqui do lado: deveria entrar em Modas e Ponteios ou Coisas e Causos? Talvez eu tenha que criar uma nova categoria…

As figuras seguintes apresentam os acordes próprios (tríades diatônicas) das escalas maiores para a viola caipira. Os acordes são representados em pauta musical e tablatura em duas posições cada. Esses acordes são também chamados de tríades diatônicas — tríades porque são constituídos de três notas musicais distintas (embora algumas sejam duplicadas ou oitavadas na viola); diatônicos porque são construídos exclusivamente com as notas de cada escala diatônica. (Para maiores detalhes, ver os seguintes artigos anteriores: Tríades diatônicas e Acordes próprios de Dó Maior.)

Obs. Nestas figuras, optei por representar os acidentes em armadura. Assim e como exemplo, na primeira figura (acordes diatônicos de Lá Maior), o primeiro sustenido (à esquerda) aplica-se a qualquer nota fá da pauta musical (e não somente à nota fá representada na quinta linha da pauta).

Acordes diatônicos de Lá Maior

Acordes diatônicos de Lá Maior

Acordes diatônicos de Si Maior

Acordes diatônicos de Si Maior

Acordes diatônicos de Dó Maior

Acordes diatônicos de Dó Maior

Acordes diatônicos de Ré Maior

Acordes diatônicos de Ré Maior

Acordes diatônicos de Mi Maior

Acordes diatônicos de Mi Maior

Acordes diatônicos de Fá Maior

Acordes diatônicos de Fá Maior

Acordes diatônicos de Sol Maior

Acordes diatônicos de Sol Maior

Vale notar que, utilizando o TuxGuitar (ver artigo anterior), você pode visualizar o acorde no braço do instrumento, como ilustra a figura seguinte.

Captura de tela do TuxGuitar, destacando o acorde de Dó Maior em pauta, tablatura e no braço da viola

Captura de tela do TuxGuitar, destacando o acorde de Dó Maior em pauta, tablatura e no braço da viola

TuxGuitar

13/08/2009

A figura abaixo mostra uma escala duetada em pauta e tablatura. Trata-se de uma escala de ré maior duetada com terça superior.

Escala de ré maior duetada com terça acima.

Escala de ré maior duetada com terça acima.

Mas este artigo não é sobre escalas duetadas, é sobre software. Essa ilustração foi obtida com um software livre (quase: licença LGPL versão 2.1) chamado TuxGuitar (o nome indica claramente qual é o instrumento focado pelo software). A figura abaixo mostra uma captura de tela ampla do TuxGuitar. Observe que são exibidas a pauta musical, a tablatura correspondente e o braço do instrumento.

Tela do TuxGuitar

Tela do TuxGuitar

Para “simular” uma viola caipira, precisei alterar algumas configurações. Na prática, criei um violão com cinco cordas de aço e afinação cebolão em ré. Esse procedimento permite obter a pauta musical simplificada como é tradicionalmente escrita para a viola. A tela seguinte mostra a configuração utilizada.

Configuração de instrumento para "simular" uma viola caipira.

Configuração de instrumento para "simular" uma viola caipira.

O TuxGuitar permite também executar no próprio software o que foi escrito em pauta e tablatura. A medida que as notas são tocadas, as posições são exibidas no braço do instrumento, como tentam mostrar as figuras seguintes.

Tocando a escala -- primeira posição.

Tocando a escala -- primeira posição.

Tocando a escala -- segunda posição.

Tocando a escala -- segunda posição.

Estou achando uma ferramenta interessantíssima e muito útil para o meu aprendizado.

O TuxGuitar é escrito em Java e, mesmo que não use Ubuntu ou Debian, você poderá executá-lo em outros GNU/Linuxes, BSD, Mac e até no Windows (Blergh!).

São reproduzidos abaixo as tríades próprias (ou tríades diatônicas) da tonalidade Dó maior.

Tríades próprias da escala de dó maior

Tríades próprias da escala de dó maior

Na formação dos acordes no braço da viola, torna-se necessário duplicar algumas notas das tríades. Sempre que possível, deve-se duplicar aquelas notas mais características do acorde: como primeira opção, a própria fundamental; como segunda opção a quinta justa. Deve-se evitar a duplicação da terça ou fazê-lo apenas sob necessidades especiais, pois ela já possui um papel destacado na definição do acorde como maior ou menor (SCHOENBERG, p. 81.).  Segundo Chediak, o dobramento da terça enfraquece o acorde (CHEDIAK, p.78).

OBS. Para maior rigor, deve-se lembrar que na viola todas as notas já são duplicadas em oitavas ou uníssonos nos seus pares de cordas. Assim, uma duplicação de nota do acorde significa realmente que tal nota será tocada em quatro cordas.

Duplicando-se convenientemente algumas notas, os acordes próprios de Dó maior são representados abaixo em pauta musical, em conformidade com as ilustrações seguintes que representam os mesmos acordes no braço da viola.

Acordes próprios de Dó maior

Acordes próprios de Dó maior

I Grau: C (Dó maior)

I Grau: C (Dó maior)

II Grau: Dm

II Grau: Dm

III Grau: Em

III Grau: Em

IV Grau: F

IV Grau: F

V Grau: G

V Grau: G

VI Grau: Am

VI Grau: Am

VII Grau: Bº

VII Grau: Bº

Referências:

CHEDIAK, Almir. Harmonia & improvisação I: 70 músicas harmonizadas e analisadas. Rio de Janeiro: Lumiar, 1986.

SCHOENBERG, Arnold. Harmonia. São Paulo: Editora UNESP, 2001.

Este artigo tem a finalidade de informar correções e adicões relacionadas ao artigo O braço da viola. Uma nova versão a ilustração que representa as notas no braço da viola contém modificações e correções importantes e é reproduzida abaixo. Clique na imagem para obter a versão completa em formato PDF.

Notas musicais representadas no braço da viola

Notas musicais representadas no braço da viola

Luteria

09/06/2009

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre o instrumento e até, quem sabe, iniciar-se nas artes e no ofício da luteria, um blogue muito bacana é o Viola Mineira — de Araguari para o mundo. Ali você encontra dicas diversas abrangendo técnicas e materiais. É uma iniciativa louvável e importante, sobretudo pela possibilidade de atingir um público que não teria de outra forma acesso a esse tipo de informação, que é evidentemente bastante restrita a um número pequeno de mestres e iniciados.

OBS. Antes de escrever, fiquei preocupado com a grafia correta do ofício em língua portuguesa e tratei de pesquisar. A segunda edição do Aurélio registra a palavra luteria; a primeira do Houaiss registra luteria e luteraria; a busca no Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras também permite encontrar luteria e luteraria; o iDicionário Aulete registra apenas luteria. Para o profissional é um pouco mais complicado… Como alternativa para luthier, o iDicionário Aulete registra a forma aportuguesada lutier.

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